Terça-feira, 21 de Março de 2006
Mistérios

Foi uma explosão de alegria na meia dúzia de pessoas de Codessos que, na manhã chuvosa de domingo, assistiu, em Guimarães, à vitória de Cátia Galhardo e da equipa do Codessos no campeonato nacional de corta-mato.

Como é possível que Codessos, um clube tão pequeno, de uma terra minúscula, e com recursos reduzidos, chegar tão alto?

Mistérios da alma desportiva.

A manhã estava chuvosa e fria. Mas eu senti um imenso calor e vi o sol a brilhar por detrás das nuvens.



publicado por alvaro às 18:56
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Alma freamundense

Na sexta-feira passada assisti ao lançamento do primeiro fascículo da história do Sport Clube de Freamunde de que Joaquim Pinto se está a encarregar. É um trabalho de muito mérito que só peca por tardio e eriçado de dificuldades.

 

Os clubes, na sua generalidade, consideram tarefa desnecessária conservar a memória das suas actividades, dos seus dirigentes, dos seus atletas, dos seus associados, e assim se extraviam, se destroem, documentos importantes: livros de actas, ficheiros de associados, correspondência, etc. e não se procede à organização de arquivos fotográficos e de relatos da imprensa.

 

O SC Freamunde não fugiu a esta regra e por isso vai ser necessária muita perseverança para levar a bom termo o encargo, o que, felizmente, Joaquim Pinto já demonstrou possuir.

 

Não foram muitos os presentes. O Salão Paroquial pareceu excessivamente amplo para a cerimónia, mas na verdade foi excessivamente pequeno para acolher a alma freamundense expressa na ternura das palavras do Ernesto Pereira e das suas evocações e nas presenças de alguns atletas, técnicos e dirigentes, que, ao longo de décadas, a personificaram.

 



publicado por alvaro às 18:53
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Histórias de África - Afinal o malandro não era

O Dr. Pecegueiro teve o cuidado de me informar que na Secção Liceal do Cubal o ambiente era de generalizada indisciplina. O professor responsável, um padre, tinha muita dificuldade em se impor à rapaziada, que transformava as aulas em autênticas paródias. Os alunos soltavam animais nas aulas para intimidar os professores, saíam das salas durante os testes, para copiarem uns pelos outros. Havia um professor que era alvo da chacota da estudantada por se deslocar para a Secção numa bicicleta de pedal…com faróis de nevoeiro. Os resultados escolares eram muito fracos.

 

Impunha-se restabelecer a normalidade e o Reitor confiava que eu conseguisse elevar o nível do estabelecimento.

 

Nos primeiros contactos com os professores contaram-me cobras e lagartos de um aluno que se destacava pela sua indisciplina. Ele era o terror em pessoa. Todas as malandradas e patifarias teriam a sua marca, não só na Secção, mas também na cidade.

 

 Estava curioso por conhecer o rapaz. Sempre tive uma atracção especial pelos indisciplinados e irreverentes.

 

No dia da apresentação defini as regras do jogo e disse aos alunos, cerca de uma centena: “Bem, meus amigos, isto aqui vai ser muito simples. Vocês vão ter toda a liberdade, podem correr e saltar à vossa vontade. Mas lembrem-se que sobre as vossas cabeças vai começar a movimentar-se uma espada. Se levantarem demasiados as cabeças, a espada cortá-las-à implacavelmente”.

 

Os alunos entreolhavam-se com sorrisos irónicos. “Ora cá vem mais um para ser comido de cebolada”.

 

Quis saber quem era o Marta, o malandro-mor. Apresentou-se um rapaz espigadote, magrito, mas que não me pareceu preencher os arquétipos da malandragem. Fiquei intrigado. "Aquilo é que é o diabo em pessoa?"

 

Em casa pus-me a ler os trabalhos dos alunos, que a Odete, durante a minha ausência em Coimbra, lhes ordenara, e fiquei siderado. O Marta, o tal malandrão, escrevia muito bem e mostrava um tão acendrado carinho pela mãe, a quem dedicava palavras de elevado sentido poético, que não me contive e chamei a Odete aos berros: “Este tipo não pode ser o malandro que pintam”.

 

Depois soube que o pai dava porrada velha na mãe. Estava encontrada uma das possíveis explicações para a irreverência do rapaz.. Procurei manter com ele uma relação de amizade. Cheguei a defendê-lo em tribunal, por factos anteriores à minha chegada. Incluia-o nas equipas de andebol e de futebol de salão.Nunca me criou o mais pequeno problema disciplinar.

 

Apenas me zangava com ele nos jogos de andebol, quando teimava em rematar à baliza sem a mínima hipótese de fazer golo.

Tinha muito mais jeito para as miúdas.

 

 



publicado por alvaro às 18:36
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Segunda-feira, 20 de Março de 2006
Escritores-fantasma

Políticos, empresários, desportistas e outros agentes carentes de notoriedade recorrem a escritores profissionais fantasmas para lhes escreverem as obras de que necessitam, mas que não são capazes de escreverem eles próprios, umas vezes por incapacidade intelectual outras vezes por falta de tempo.

 

 As obras aparecem então com nomes de autores que são apenas formais, porque os verdadeiros se mantêm na sombra.

 

 Chico Buarque de Holanda escreveu um livrinho maravilhoso – “Budapeste” – sobre um destes escritores,  participante de um congresso de escritores – fantasma, cuja leitura me amenizou a “seca” que passei numa viagem a Fortaleza, no Ceará, para participar num congresso da imprensa regional.

 

Personalidades como John F. Kennedy e Hillary Clinton foram acusadas de terem recorrido a ghostwriter par publicarem obras “suas”.

 

Em 1995 participei num congresso do futebol distrital, durante o qual foi lançado o livro “Desporto Escolar”. Fiquei sempre com a ideia que este livro fora escrito por um desses escritores – fantasma, já que nunca vi no autor formal capacidade nem conhecimentos para abordar tal tema.

 

Esse “escritor” teve o desplante de me propor que um trabalho de compilação de normas e regulamentos desportivos, que me propunha fazer no âmbito das minhas funções de presidente do Conselho Técnico da Associação de Futebol do Porto, fosse publicado com o seu nome.

 

Escusado será dizer que não escrevi uma linha…e passados uns dias bati com a porta e vim-me embora.



publicado por alvaro às 20:54
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Quinta-feira, 9 de Março de 2006
Ler jornais é saber mais

A leitura frequente de jornais ajuda a explicar os bons resultados dos alunos na escola – concluiu um estudo, recentemente realizado na Finlândia sobre o desempenho dos estudantes de 15 anos.

Os alunos que tiveram melhores resultados foram os que afirmaram ler jornais várias vezes por semana.

Em 2003 os finlandeses foram os melhores nos 29 estados da OCDE em matemática, leitura e ciências, enquanto os portugueses se situaram nos 25º, 24º e 27º lugares, portanto bem perto da cauda da tabela.

Não admira.

Continuamos o ser um país de românticos, como um dia disse António Sérgio. Tanto depressa nos apaixonamos, como logo de seguida caímos na depressão.

De vez em quando surgem apaixonadas e espalhafatosas campanhas. Como os resultados não aparecem de imediato pelo condão da varinha mágica, rapidamente são esquecidas.

Nada se faz no dia a dia para dar continuidade às iniciativas, que assim se perdem.

A propósito: lembram-se de uma campanha chamada “ler jornais é saber mais”?

Agora a despropósito: quem era o governante português que se vangloriava de não ler jornais?


publicado por alvaro às 19:53
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Reverência medieval
O nome de ruas deve ser dado a quem se destacou em vida, quem contribuiu com a sua actividade para o desenvolvimento social, quem realizou obra, quem contribuiu para a melhoria de vida dos seus concidadãos.
Há por aí tanta rua com nomes de gente que nada fez para o bem das terras. Só porque foram padres. Só porque foram presidentes de junta.
Em Figueiró existe, por exemplo, uma rua com o nome de um padre, que, tenho a certeza, 99% dos habitantes nunca conheceu, e ninguém será capaz de dizer uma coisa sequer que tenha feito pela terra, a não ser, parece, lá ter nascido.
Continua a haver uma excessiva reverência perante certas funções do poder, quer civil, quer religioso, considerando que o simples exercício dessas actividades confere mérito aos seus titulares, a ponto de serem perpetuados nas lápides das esquinas.
Este é um comportamento indiciador de uma menoridade cívica numa sociedade que se quer desenvolvida, mas que ainda apresenta fortes traços de medievalismo rural.
E injusta para com tantos cidadãos que, na humildade das suas funções, constroem monumentos imorredouros de carácter, trabalho e solidariedade.
Um casal, por exemplo, que consegue, com o magro salário de jornaleiro, criar, honradamente, mais de vinte filhos, não merece ser mais lembrado que muitos desses figurões que vemos aí pelas esquinas?



publicado por alvaro às 19:50
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Mandato decepcionante
Jorge Sampaio termina o seu mandato sem deixar saudades. Para mim, que o apoiei na primeira eleição, uma verdadeira decepção.
Espero que não se cumpra o ditado popular: “atrás de mim virá quem bom me fará”


publicado por alvaro às 19:49
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Castro em bom nível
Ribeiro e Castro continua a maravilhar-nos.

O líder do CDS descobriu que todas as normas que falam em gratuitidade são inconstitucionais pela natureza não gratuita das coisas. Assim todos os serviços públicos devem ser pagos, a começar pela saúde (Aliás, neste item não é grande inovador: Há uns bons anos um ministro de um governo de direita, cujo nome, felizmente, não recordo, fez cartaz com a célebre frase: “quem quer saúde, paga-a”).

Depois da saúde, venham as escolas, as bibliotecas, os museus, os transportes escolares, a segurança, etc., etc., que a malta do privado agradece.



publicado por alvaro às 19:47
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Sexta-feira, 3 de Março de 2006
O Discurso – ou as polivalências do desporto
Tinha chegado ao Cubal há apenas há alguns dias (princípios de Novembro), quando me aparecem lá na Secção Liceal o director da Escola Comercial, o director do colégio da cidade, e um padre, que acumulava as funções de pároco da terra e professor na Escola Comercial. Vinham apresentar cumprimentos e fazer-me um convite: para ser o orador na sessão comemorativa da restauração da independência nacional, que os estabelecimentos de ensino da cidade iam organizar no dia 1 de Dezembro próximo. Fiquei enrascado com o convite. Tratava-se de uma sessão em que os discursos andavam invariavelmente à volta das peripécias históricas do reganho da independência do jugo castelhano em 1640 e da lição para o presente que era cerrar fileiras pela indivisibilidade da Pátria contra os grupos de terroristas, que a soldo do comunismo internacional, tentavam dividi-la. Ora eu não poderia fazer um discurso desses, porque seria ir contra as minhas convicções antifascistas e anti-colonialistas. Por outro lado, não poderia, na minha condição de representante de uma instituição de ensino, fazer um discurso, numa cerimónia oficial, de acordo com as minhas convicções políticas. Seria um desastre. Por isso fui recusando o convite. Que ainda mal tinha chegado. Que precisava de pôr em ordem a Secção. Que ainda não tinham chegado os meus livros. Que eram necessários para me documentar e apoiar na elaboração do discurso, etc., etc. Os meus interlocutores ouviam-me com muita atenção, mas não aceitavam nenhum dos meus argumentos. Era um discurso fácil e sabido (isso sabia eu…). Não eram precisos livros para nada. Era sempre um deles, o orador. As pessoas já estavam cansadas de os ouvir (não me custou nada acreditar que sim…). Agora que havia um colega novo na cidade, era boa altura para refrescar o discurso (se alguma vez o tema e o clima tropical o permitissem…). E também seria o momento adequado para fazer a minha apresentação à comunidade escolar e às autoridades da cidade. Não tinha saída: lá tinha de fazer o discurso, desse para onde desse. O suor caía-me em bica. Mas como estava muito calor, os meus interlocutores não puderam inferir daí o meu enrascanço. Então tive um lampejo e perguntei-lhes: Mas afinal qual é o tema? Fantástica resposta: fica da sua inteira escolha. E no dia 1 de Dezembro de 1972, perante largas centenas de alunos, professores, autoridades civis, militares e religiosas, quando era suposto falar da Pátria, dos Vasconcelos traidores, do Portugal do Minho a Timor, e do Angola é nossa, falei sobre a Juventude e o Desporto. No final fui muito cumprimentado. O director do colégio, com um sorriso que me pareceu cúmplice, comentou: muito original, muito original. O director da Escola Comercial, em Maio de 1974, após eu ter discursado numa sessão de apoio à Junta de Salvação Nacional, deu-me um abraço e disse-me: Ó Álvaro, agora compreendi tudo.


publicado por alvaro às 19:39
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