Terça-feira, 27 de Dezembro de 2005
Luis Portos e o nome do complexo desportivo de Figueiró
O Clube Primeiro de Maio de Figueiró deliberou há alguns anos atribuir o nome do industrial da freguesia Luís dos Santos Pereira (mais conhecido por Luís Portos) ao seu complexo desportivo. Na altura exercia as funções de presidente da assembleia-geral do clube e coube-me a incumbência de negociar o nome a dar ao complexo com alguns associados abastados da colectividade. Como se deve compreender, o nome tinha um preço, que, aliás, era relativamente elevado. Pretendia-se com o negócio saldar as dívidas da construção das instalações sociais e desportivas, que se elevavam a cerca de trinta milhares de contos, actualmente cerca de 150 milhares euros. Falei com vários desses associados, mas apenas o Luís Portos, que à data era o presidente da direcção, aceitou a proposta. O Luís saldou as dívidas e foi o seu nome dado ao complexo desportivo.
Foi um acto de justiça, não apenas negocial. O Luís foi sempre ao longo dos anos um dos grandes apoiantes do clube. Tenho todo o prazer em recordar que nos primórdios da década de 90, quando o clube era ferozmente atacado pela classe dominante da freguesia, o Luís ofereceu uma carrinha Toyota, que foi decisiva para o desenvolvimento das suas actividades desportivas, nomeadamente das camadas jovens – o seu filho Amândio era então o capitão da equipa de iniciados, a primeira formação de jovens do clube, e fez a entrega formal da viatura no intervalo dum jogo com o Eiriz, depois de ter perdido as chaves, na brincadeira, o que forçou o Ângelo Barbosa, então presidente, a arranjar outras…para a fotografia. Mais tarde, o Luís teve um contributo de relevo na aquisição de um mini-autocarro, ao dar alguma segurança à incerteza das prestações. Em 1997 foi do Luís o impulso decisivo para a aquisição dos terrenos adjacentes ao campo de futebol, que permitiram a construção das actuais instalações desportivas e sociais.
Apesar disto, o nome do Luís no complexo desportivo tem sido de difícil digestão para a classe dominante da freguesia, onde reina o egoísmo, a maledicência, e o grande apetite de fazer floreados à custa alheia. Várias vezes tenho comentado que”o raio do calhou custa a engolir” e os sintomas multiplicam-se nos agentes da “casta” dominante.
Numa altura em que se vêm representando na freguesia alguns entremezes, em que subtilmente se põe em causa o reconhecimento devido ao Luís, entendi que era oportuno relembrar aqui alguns factos (a memória dos homens é muito curta), prestar ao Luís a minha homenagem como antigo dirigente do clube, fazer-lhe, e contribuir que se lhe faça, a justiça que merece.


publicado por alvaro às 21:35
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